vamos ler juntes?


O Clube do Livro do Design nasceu no ano de 2020 com o propósito de criar um ambiente de troca de referências e diálogo entre designers gráficos e interessades através da leitura de livros de design gráfico e áreas relacionadas. A segunda temporada inicia em janeiro em 2021 com várias novidades! Nada melhor do que ler um livro e ter gente com quem conversar, não é mesmo? ︎


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ilustrações maria julia moreira/terezabettinardi.com

Mark

quais são os livros?


São dois grupos diferentes, um com todos os livros em português e outro que inclui textos avulsos ou livros mais curtos [este grupo com algumas edições em inglês]. A curadoria levou em conta incluir obras tanto no formato físico como digital. Lembrando que os livros não estão incluídos no valor do clube e deverão ser adquiridos separadamente.





grupo 1 ︎ livros em português

Uma seleção de 4 livros com traduções para o português disponíveis no mercado.


janeiro: COMO SER UM DESIGNER GRÁFICO SEM VENDER A SUA ALMA
Adrian Shaughnessy [Senac, 2010]
Designers são até bastante ágeis para contar histórias a respeito das fontes de inspiração e referências, mas estão bem menos dispostos a revelar os perrengues: como buscar um estágio, quanto cobrar, as alegrias e amarguras da vida de freelancer e o que fazer quando um cliente rejeita três semanas de trabalho e se recusa a pagar a conta. Escrito pelo designer Adrian Shaughnessy, este livro também inclui entrevistas com dez outros designers, incluindo Rudy VanderLans (Emigre), John Warwicker (Tomato), Neville Brody (Research Studios) e Andy Cruz (House Industries).
fevereiro: MODOS DE VER
John Berger [Rocco, 2015]
De que maneira as imagens que passam por nossos olhos nos afetam ou refletem aspectos da sociedade em que vivemos? Quem escreve é o crítico de arte, historiador e romancista John Berger (1926-2007). Escrito em parceria com mais quatro autores, o livro é baseado no programa homônimo, veiculado pela BBC de Londres no início dos anos 1970. São sete ensaios que podem ser lidos em qualquer ordem. O projeto gráfico original é de Richard Hollis. Este livro é um soco no estômago!

março: ENQUANTO VOCÊ LÊ
Gerard Unger [Estereográfica, 2016]
Como leitores reagem com seus olhos e mentes aos produtos feitos por designers de tipos e tipógrafos? Este livro é sobre tudo o que acontece enquanto você lê — na frente de seus olhos e dentro de sua cabeça — e sobre o que designers de texto, tipógrafos e designers gráficos trazem para uma página para fazer isso acontecer. Escrito pelo designer Gerard Unger (1942-2018), o livro traz, em um texto divertido e acessível, uma gama de relatos sobre projetos: desde o design de fontes lidas diariamente por milhões no jornal "USA Today" até a aparência das placas de rodovias e metrô na Holanda.

abril: ALOÍSIO MAGALHÃES: BENS CULTURAIS DO BRASIL
João de Souza Leite [org.] [Bazar do Tempo, 2017]
É inegável a contribuição de Aloísio Magalhães (1927-1982) para a expansão e consolidação do design no Brasil – não só como uma atividade profissional em si, mas, também, como área do conhecimento. Com organização de João de Souza Leite, o livro reúne uma série de entrevistas, artigos e conferências que mostram a evolução de um debate modernizador sobre a questão do patrimônio brasileiro, situando o lugar estratégico dos bens culturais para a formação de um projeto de nação. Vou listar aqui alguns artigos que iremos discutir durante os encontros [mas atenção: a ideia é ler o livro todo, ok?]:

︎︎︎A serena morte da pintura e a confiante aceitação dos limites, Aloísio Magalhães (1974)
Nesta entrevista concedida ao jornal Diário de Notícias em 1974, ele traz um exemplo simples – os seus conhecidos cartemas — para falar de uma questão real que enfrentamos todos os dias: como o contato direto com o nosso meio social é importante para aceitar os limites. Uma curiosidade sobre os cartemas, é que esta palavra foi criada pelo filólogo Antônio Houaiss (1915-1999) justamente para identificar essas experimentações gráficas de Aloísio: colagens, “bricolagens”, que justapunha os múltiplos cartões-postais.

︎︎︎Arte e educação em debate, Aloísio Magalhães (1980)
Transcrição de um debate realizado na Semana de Arte e Ensino, em simpósio organizado pela professora Ana Mae Barbosa. Nesta fala, Aloísio fala sobre modelos de educação, sobre a necessidade do Ocidente em “inocular, em preparar a cabeça das pessoas, de uma maneira geral, dentro de um esquema, de um modelo" e lança a pergunta: “será esse modelo enriquecedor, ou será esse modelo compartimentado, limitador?".

︎︎︎O incômodo elitismo cultural, Aloísio Magalhães (1981)
Nesta entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, Aloísio fala sobre seu incômodo a partir do momento que abandonou o direito e passou a se envolver com as artes plásticas e design: “Passou a me inquietar o aspecto elitista do trabalho artístico num país como o nosso. Morei uns tempos nos Estados Unidos e ali descobri o design, o desenho industrial, como uma forma de canalizar para o social a sensibilidade do processo criativo". Quarenta anos depois, eu te pergunto: o design gráfico é elitista?

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grupo 2 ︎ livros em inglês e textos avulsos

Uma seleção mensal de artigos e capítulos de livro [alguns só em inglês, quase todos disponíveis no formato digital].


janeiro: SELEÇÃO DOT DOT DOT MAGAZINE
Inaugurando o grupo com textos avulsos [e mais curtos], iniciaremos a leitura com alguns artigos selecionados publicados na DOT DOT DOT, uma revista semestral publicada entre os anos 2000 a 2010 pelos designers Peter Biľak e Stuart Bailey. Originalmente centrada em artigos sobre design gráfico, a publicação foi posteriormente ampliando seu escopo para o jornalismo interdisciplinar sobre assuntos que afetam a maneira como vemos o mundo, pensamos e fazemos design. Segue a lista de artigos selecionados que podem ser encontrados facilmente online:

︎︎︎Underdesign, overdesign, redesign por Peter Biľak (2001)
Quando eu li este artigo pela primeira vez, foi um alívio e um soco! Deixo apenas um trecho em destaque: “Designers, ao invés de buscar a solução para o mundo real, criam seus próprios mundos imaginários distantes da realidade. A essência dessa conduta nos lembra mais a Disneylândia do que o mundo real". Este artigo pode ser lido online aqui.

︎︎︎I’m Only a Designer: The Double Life of Ernst Bettler por Christopher Wilson (2001)
Este resumo contém spoilers! O artigo narra a trajetória de um designer suíço, Ernst Bettler, desde seu estilo e onde havia adquirido suas influências, até uma história sobre como seu trabalho derrubara uma empresa farmacêutica que tinha ligações com o nazismo. Segundo o artigo citado, Bettler havia produzido uma série de 7 posters com medicamentos. Bettler fez a encomenda de design voltar-se contra o cliente, uma espécie de ativismo, resultado: após serem expostos nas ruas da Suíça, a empresa teria fechado as portas em seis semanas. A história ganhou notoriedade e chegou a ser usada como exemplo em livros, tal como em Problem Solved de Michael Johnson (2002). O único problema é que a empresa farmacêutica, os medicamentos, os lugares citados no artigo, ou o próprio Bettler – nenhum deles, de fato, existiu! O perfil apresentado por Christopher Wilson é fictício. A questão que coloca-se, portanto, é: por que foi tão fácil acreditar no conto de Wilson? Possivelmente porque ler sobre a trajetória de um designer suíço, homem, branco, é parte do cotidiano da história do design gráfico. Que tal? Este artigo pode ser lido online aqui.

︎︎︎Guided by Voices por Paul Elliman (2005)
Este artigo é uma prévia do artigo “Indifferent Voices" originalmente publicado na Dot Dot Dot #16 pelo designer Paul Elliman. Como não encontrei o texto da revista online, leremos esta versão anterior ao que foi publicado na revista. Este artigo pode ser lido online aqui.

︎︎︎Disrepresentation Now!, Experimental Jetset (2001)
Curte uma tretinha? Então leia este ensaio pelos designers do Experimental Jetset escrito em 2001 mas que foi posteriormente e revisto e recontextualizado. O texto e o disclaimer podem ser lidos online aqui.

fevereiro: THE DEBATE: THE LEGENDARY CONTEST OF TWO GIANTS OF GRAPHIC DESIGN
Wim Crouwel e Jan van Toorn [Monacelli Press, 2015]
Este livro curto traz um marcante debate feito em 1972 entre os designers holandeses Wim Crouwel e Jan van Toorn. Durante anos, a conversa perdurou no imaginário de alguns entusiastas, principalmente por meio de boatos, emergindo apenas como fragmentos em publicações escassas. O debate, realizado no Museu Fodor de Amsterdã, ficou conhecido como um choque público da subjetividade versus objetividade e ajudou a preparar o terreno para confrontações filosóficas sobre a tal “cultura do design". Um pdf do livro pode ser encontrado facilmente online mas se você preferir a versão em capa dura, o link está aqui.
março: HISTÓRIA DO DESIGN EM CONTEXTOTibor Kalman, J. Abbott Miller, Karrie Jacobs, Steven Heller, Rick Poynor e Mário Moura

︎︎︎Good history/Bad history por Tibor Kalman, J. Abbott Miller e Karrie Jacobs (1990)
Este texto discute como a história do design é escrita e como ela afeta a maneira como o passado é visto e compreendido. Ao falar sobre como a história do design é mostrada principalmente como “uma história de imagens", os autores criticam (com muito sarcasmo) a inteligência dos designers como aqueles que "lêem legendas". É fato que a história do design é escrita através de uma lente seletiva que dá pouca margem para entendimento do contexto. O que não vemos nos livros de design são coisas que pensamos que não existiam, pois não temos evidências para provar que existiam. Você já ouviu essa história antes, não? Então vem com a gente! O link para o texto está disponível aqui.

︎︎︎Cult of the ugly por Steven Heller (1993)
No início da década de 1990, Steven Heller adotou a palavra feio  aplicada ao design gráfico e ao ensino de design. Suas visões da história da arte, cultura pop e tendências recentes do design são consideradas em seu ensaio sobre estilo e significado no design. O texto pode ser encontrado neste link.

︎︎︎Art’s little brother por Rick Poynor (2005)
Escrito pelo crítico britânico Rick Poynor onde ele levanta o argumento a favor da celebração do design como o encontro da arte com a vida cotidiana. Esta é uma questão que muita gente já se dispôs a explicar e vamos debater (ou exorcizar!) mais uma vez.

︎︎︎O design que o design não vê: raça, gênero, classe por Mário Moura
“O universalismo e a neutralidade são identitários do design enquanto disciplina", anuncia o professor e pesquisador português Mário Moura no indispensável livro “O design que o design não vê". O livro traz uma seleção de doze ensaios onde o autor analisa a prática do design gráfico frente aos desafios contemporâneos. Moura demonstra como a disciplina e o patrimônio discursivo do design gráfico é formado por conceitos de raça, classe, gênero, autoria e periferia. Leremos o primeiro artigo do livro mas recomendo que você leia o livro inteiro! :)

abril: THE EDUCATION OF A GRAPHIC DESIGNER
Steven Heller [org.] [Allworth, 2012]

Esta coleção de ensaios e entrevistas foi concebida para ajudar professores [e alunes] a se manterem atualizados no campo do design gráfico. Com relatos de diversos profissionais e educadores, incluindo: Katherine McCoy, Ken Garland, Marian Banjtes e Ellen Lupton. Anedotas pessoais desses profissionais sobre sua própria educação, seus mentores e seus alunes tornam este livro uma obra interessante para discussão. A ideia é lermos alguns dos ensaios/entrevistas do livro. Os artigos selecionados abaixo:

︎︎︎Education in an adolescent profession, Katherine McCoy
︎︎︎Anxious about the future?, Ken Garland
︎︎︎Emptying the spoon, enlarging the plate: some thoughts on graphic design education, Warren Lehrer
︎︎︎Principle before style: questions in design history, Richard Hollis
︎︎︎Self-taught teacher, Marian Bantjes
︎︎︎The designer as producer, Ellen Lupton

︎︎︎Searching for a black aesthetic in american graphic design education, Sylvia Harris


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